Raphael Bózeo
Publicada em 02/07/2012 às 10:09
Rio de Janeiro (RJ)
O Botafogo precisou de muita paciência para fechar com Seedorf. Foram 13 meses de espera desde o primeiro encontro em Milão, em maio do ano passado, quando o presidente do clube, Mauricio Assumpção, viajou para a cidade italiana com o vice de futebol na época, André Silva, para se encontrar com a representante do jogador, Deborah Martín, e o próprio Seedorf. O agente Fifa José Renato e o ex-jogador e amigo do holandês Serginho foram responsáveis por fazer a ponte com o astro e também estiveram presentes.
A reunião durou cerca de seis horas e o Botafogo apresentou um projeto ao jogador para atuar no Brasil. Seedorf gostou da proposta, mas optou por renovar com o Milan por mais uma temporada. Porém, as conversas seguiram por intermédio da agente do jogador.
Em janeiro, um novo encontrou aconteceu no Rio de Janeiro, mas sem o astro. Deborah Martín almoçou com o presidente em uma churrascaria próximo à sede alvinegra, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Serginho e um empresário italiano também participaram do encontro, que teve como objetivo apresentar toda a estrutura do Botafogo à agente. Tudo foi mostrado, detalhe por detalhe. General Severiano, Engenhão e a sede do Mourisco Mar, onde ficam os esportes aquáticos do clube. Vestiários, concentração, campos e tudo o que envolve o clube foi visto.
A organização do clube chamou a atenção de Deborah, que próximo do acerto elogiou a conduta do Botafogo. O profissionalismo foi citado diversas vezes como fator primordial. Logo após o fim do Campeonato Italiano, o diretor de relações internacionais do Botafogo, Bernardo Arantes, viajou para Milão para nova reunião com Deborah e o Alvinegro deu mais um passo à frente dos concorrentes, já que clubes da China, Qatar e Estados Unidos queriam o astro.
Além do presidente, o diretor-executivo Sérgio Landau, o diretor de relações internacionais Bernardo Arantes e o diretor jurídico Aníbal Rouxinol participaram da cúpula que conduziu a negociação ao longo do processo.
Há três semanas, a negociação deixou as duas partes com os nervos à flor da pele. Landau deu uma entrevista pedindo pressa na resposta e, logo depois, um problema no contrato de imagem quase encerrou a negociação. O Botafogo não cumpriu com itens exigidos, o que irritou a agente do atleta. A amizade de Serginho com o astro foi um dos fatores importantes para resolver o entrave e a boa impressão deixada ao longo de toda a negociação também pesou.
Ligação de Oswaldo animou astro
Já na reta final da negociação, o técnico Oswaldo de Oliveira ligou para um amigo do astro e do ex-jogador Serginho para saber detalhes sobre o atleta. O treinador frisou que a chegada não será importante apenas no marketing, mas na parte técnica também. O fato agradou ao jogador, que ficou satisfeito com a preocupação do novo comandante.
Na última semana, a contratação já era dada como certa, mas a precaução pelo envio da documentação final foi grande. Apesar da proposta financeira alta, o futebol amador do Qatar e a mudança de cultura que a China proporcionaria fizeram Seedorf escolher, baseado também na família, o Brasil. O Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, também sondou o jogador, mas jogar na Meca do futebol, como colocou no seu próprio site oficial, o deixou orgulhoso.
- Eu falei com o Seedorf que o Oswaldo tinha ligado e ele ficou feliz em saber da preocupação do técnico - disse o ex-jogador Serginho, lembrando a participação de todos no processo:
- É um grande mérito do presidente Mauricio Assumpção trazer o Seedorf para o Botafogo e ele está feliz com esse novo desafio. Foi uma espera muito grande, mas todos tiveram seu papel importante. O André Silva, que não está mais no clube, participou muito do início, assim como o Zé Renato, que teve a ideia e viabilizou o encontro. A diretoria fez um grande trabalho - destacou Serginho.