sexta-feira, 6 de julho de 2012

Loco Abreu se despede do Botafogo: 'Foram 30 meses maravilhosos'

No mesmo dia em que recebe um ídolo, a torcida do Botafogo se despede de outro. Loco Abreu deu adeus ao clube na tarde desta sexta-feira, horas depois do desembarque do holandês Clarence Seedorf ao Rio de Janeiro. A torcida não esqueceu o uruguaio mesmo na recepção ao novo camisa 10. No Aeroporto Internacional Tom Jobim ecoaram gritos de “Valeu, Loco”, em agradecimento aos 63 gols marcados em 107 jogos, alguns deles decisivos, em sua trajetória no clube de General Severiano. Loco Abreu continuará vestindo branco e preto até o fim de 2013, mas defendendo o Figueirense, de Santa Catarina.

- Quero agradecer ao clube, aos torcedores, aos empregados do clube. Foram 30 meses maravilhosos que passei aqui com a minha família. Vou sempre lembrar tudo de bom que aconteceu aqui, esse privilégio de ter ficado marcado na história do clube, e principalmente o carinho do torcedor no dia a dia que está muito acima de qualquer resultado esportivo

Querido pelos torcedores, o uruguaio ganhou o respeito no clube com raça, especialmente em decisões. Depois de um período em que o Botafogo amargou seguidas derrotas em finais contra o rival Flamengo, Abreu chegou ao clube no início de 2010, e a estreia não poderia ter sido pior. Ele foi substituído no intervalo da derrota por 6 a 0 para o Vasco no Estadual daquele ano. Porém, não tardou a dar o troco. Na final da Taça Guanabara, também contra a equipe de São Januário, marcou o segundo gol da vitória por 2 a 0. De pênalti - e com direito a cavadinha -, deu o título estadual ao Botafogo, impedindo o tetracampeonato rubro-negro, ao fazer o segundo gol da vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, na final da Taça Rio.

Além dos gols, o atacante é conhecido por hábitos pitorescos. Usa, por baixo do uniforme nos jogos, uma camisa cheia de retalhos, homenageando o seu pai, seus filhos, o Nacional do Uruguai e a seleção celeste. Recentemente, incluiu também o escudo do Botafogo entre os seus itens de superstição. A identificação com o Alvinegro sempre foi exaltada pelo jogador que, na Copa América de 2011, vencida pelo Uruguai, levou a bandeira do clube ao pódio. No vestiário do Engenhão, reformado recentemente, ele mantinha uma espécie de santuário, com fotos de sua família, imagens religiosas e outras pessoais com a camisa da seleção uruguaia.