Raphael Bózeo - 06/10/2012 - 09:07
Rio de Janeiro (RJ)
Dodô ainda carrega o Botafogo no peito. Às vésperas do clássico contra o Fluminense, time pelo qual atuou após deixar o Alvinegro, em 2008, o atacante abriu o coração, falou do carinho pelo Glorioso, mas revelou mágoa do clube no pior momento de sua carreira, quando foi pego no exame antidoping por uso de femproporex – substância proibida usada para perda de peso – em junho de 2007.
O Artilheiro dos Gols Bonitos, como é conhecido, falou com exclusividade ao LANCENET!, por telefone, que se não fosse o polêmico caso, não teria deixado o Glorioso e possivelmente faria história pelo clube.
Ele também lembrou da inauguração do Engenhão, justamente no Clássico Vovô, no dia 30 de junho de 2007. Na oportunidade, ele fez os gols alvinegros da vitória do Glorioso por 2 a 1, de virada, e até hoje é lembrado como o primeiro herói do estádio.
Alvinegros e tricolores, matem a saudade de Dodô
O que carrega da passagem pelo Botafogo?
Dentro do campo, só tenho coisa boa para falar. O respeito que adquiri com a torcida foi muito grande. Não me vaiavam, era impressionante. Desde a primeira passagem, em 2002, quando fiz mais de 30 gols em meia temporada, foi tudo muito bom.
O doping, em 2007, atrapalhou sua relação com o clube?
O que estragou a minha passagem foi o doping. Aí sim, quebrou um laço. Tenho certeza de que se não tivesse acontecido aquilo, poderia estar jogando pelo Botafogo até hoje. Ser acusado e condenado por algo que não fiz, não tem como não abalar a relação.
A saída do Botafogo foi uma escolha sua?
Não continuei porque não quis. Tinha recebido até proposta de renovação por dois anos, mas minha confiança acabou sendo quebrada. Não confiava mais em algumas pessoas que estavam no clube na época. Se não tivesse acontecido aquilo, a minha história com o Botafogo seria diferente. Muito provavelmente não teria jogado por outra equipe.
Qual a sua recordação da inauguração do Engenhão, quando marcou dois gols?
Foi inauguração do estádio e estava superlotado. Lembro que o Botafogo era líder do Brasileiro e foi marcante porque eu fiz os dois gols da vitória por 2 a 1. Um clássico que é sempre gostoso de jogar. Nosso time era bom. Esse período no Botafogo foi muito legal.
| Dodô fez os gols da virada alvinegra sobre o Flu na inauguração do Engenhão (Foto: Cleber Mendes) |
Você trocou o Bota pelo Flu. Como foi jogar logo pelo rival?
O Flu foi pouco tempo, porque logo depois fui condenado. A torcida teve carinho grande comigo até porque joguei lá quando pequeno. Na época da minha audiência na polícia, foram muito corretos. Dentro do campo foi ótimo. Se não fosse a minha lesão, poderia ter jogado mais na Libertadores. Quase fomos campeões.
Quem é o favorito para este clássico que você conhece bem?
Clássico é clássico, não é? Acho que o Fluminense está com a sorte de campeão. É um time que às vezes não joga bem, mas consegue os resultados. Tem um time muito bom. Contra o Flamengo, sofreu pressão, mas conseguiu vencer. É forte candidato ao título. O Botafogo está oscilando um pouco. Vejo o Flu um pouco à frente agora.
Vai torcer para quem?
Estou aqui em São Paulo, pensando na minha vida. Não vou torcer para ninguém, mas será um grande jogo.
| Dodô também marcou seus golaços com a camisa do Fluminense (Foto: Pedro Kirilos/Photocamera) |
Você tem amigos que estão no Botafogo e no Fluminense?
Conheço muita gente de dentro dos clubes que ainda que tenho um carinho. Tem o Abel (Braga, técnico) que foi meu treinador e fiz muito gol para ele (risos). Joguei com alguns jogadores como o Diguinho e Thiago Neves também.
Esse jogo reunirá dois craques: Deco e Seedorf. Quem você escolheria para o seu time?
Não dá para eu escolher os dois (risos)? São dois jogadores excepcionais. Queria os dois dando passes para eu fazer os gols (risos).
Jefferson e Cavalieri estão em grande fase. Acha que os dois tem chance na Seleção? Quem você escolheria para o seu time?
É uma outra comparação difícil. São dois ótimos goleiros e com potencial de jogar na Seleção. Bom, fiz mais gols no Jefferson. Agora tire suas conclusões (risos).
Como está sua vida agora. Você ainda pensa em jogar?
Tive propostas, mas não me agradaram. Vou pensar no que vou fazer depois que parar. Estou sem fazer nada. Poderia ter dito que parei, mas sei lá... Do jeito que está o futebol... Estou brincando com você, a intenção é pensar no pós-carreira. Só se aparecer algo bom mesmo.
COM A PALAVRA
Carlos Augusto Montenegro
Vice de futebol do Botafogo em 2007
"Infelizmente esse caso (doping) não entendemos direito até hoje. Na época, fomos até a farmácia que fazia os produtos para ver o que realmente aconteceu. Dodô sempre foi um grande atleta, dentro e fora de campo. Não tinha e não tenho razão para não acreditar nele. Pelo contrário. Sempre falei que ele estava falando a verdade e brigamos muito por ele. Não ficamos preocupados pelo fato dele ser um ídolo, mas principalmente pela postura dele. Sempre foi uma pessoa muito correta. Era um atleta exemplar, que sempre nos deu muita satisfação em trabalhar.
É normal ele ter ficado magoado com aquela situação. Ficou chateado com vários profissionais. Pelo menos da minha parte e de outras pessoas próximas, ficamos do lado dele o tempo todo."