quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Tecnologia de corte da grama no Engenhão é inédita no Brasil

Tiago Pereira e Walace Borges - 17/01/2013 - 14:17 Rio de Janeiro (RJ)

Gramado do Engenhão (Foto: Paulo Sergio)
Novo gramado do Engenhão (Foto: Paulo Sergio)

A nova tecnologia implementada no Engenhão pelo Botafogo é inédita no Brasil. A fim de acelerar o jogo e privilegiar os times mais técnicos, o clube pediu que o corte da grama passasse a ser de 15 milímetros acima do chão. Antes, ele era de 30 milímetros.

– A tecnologia é totalmente inédita no Brasil. Nenhum gramado do país está assim e nunca foi cortado a 15 milímetros do chão. É uma situação totalmente inovadora. A ideia é acelerar o jogo, fazer com que seja o melhor possível – garantiu o agrônomo Paulo Azeredo, que aproveitou para ironizar possíveis gols perdidos no estádio:

– Pelo amor de Deus, não pode perder gol aqui (risos). Lógico que com a medida de jogos, piora um pouco, mas não vai ter desculpa nenhuma. Todo mundo está pedindo gramado bom, com condições de jogo elevadas. Agora, vão ter um palco realmente à altura.

FLU JOGA LIBERTADORES NO ENGENHÃO

Apesar da expectativa do Botafogo de diminuir o número de jogos no Engenhão, a falta do Maracanã dificulta a ação. O diretor executivo do Glorioso, Sérgio Landau, reconhece a dificuldade e garante que, por exemplo, o Fluminense fará todos os jogos da Libertadores no Engenhão:

– O Botafogo pensa em diminuir os jogos, mas entendemos que hoje o Engenhão é o palco mais importante do Rio de Janeiro. Falando no caso do Fluminense, o time vai jogar a Libertadores aqui. Merece e analisamos como bom para todo mundo. Sem o Maracanã, essa é a realidade do Rio de Janeiro quanto ao futebol.

O grande pedido do Alvinegro é quanto aos jogos de menor importância. A ideia do clube é levar algumas partidas para outros palcos, como o Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, e o Moacyrzão, em Macaé.

– Algum sacrifício vai ter de acontecer para que todo mundo saia ganhando. Estamos estudando uma maneira boa de racionar e não complicar a vida de ninguém. A ideia é: quando tiver um jogo menos importante, vai para um local alternativo.

- Com a palavra:
Marcelo Hargreaves
Gerente de Marketing da Ambev

"Parceria ajudou na melhora do gramado"

A torcida do Botafogo já entende que a Brahma é uma parceira do clube, não uma patrocinadora. Então, o clube entrou em contato conosco já visando este trabalho. Não poderia dar em algo menor do que o sucesso que pode ser visto no gramado do Engenhão, hoje.

As partes viram e mapearam o mundo para entender o que de melhor é feito por aí. Foi tirada muita coisa boa destas viagens e chegamos à conclusão de que tínhamos de mudar radicalmente as coisas no Engenhão.

Além de participarmos juntos do programa de sócio-torcedor, ainda podemos trabalhar lado a lado em outros projetos. Não há nada engatilhado agora, mas acho que pode ser tudo muito saudável e muito bem feito.

- Com a palavra:
Paulo Azeredo
Agrônomo da Greenleaf, que faz a manutenção do gramado

"O preço é alto, mas vale muito a pena"

Importantíssimo. Esse é o adjetivo que melhor caracteriza o trabalho feito no Engenhão. Apesar de ser um projeto caro, que traz muita dor de cabeça financeira, é primordial até para a imagem do clube.

Hoje, o preço de manutenção dos estádios da Copa do Mundo gira em torno de R$ 70 mil. Porém, temos uma boa relação com o Botafogo para que esse valor seja bem menor. Mas ainda assim é bem alto. Então, o clube reconheceu uma necessidade e entrou em contato para resolver a situação.

Se você levar em consideração o que vemos pelo Brasil, o Engenhão tem o melhor gramado disponível hoje. Não deve em absolutamente nada ao Camp Nou. A única coisa que precisa ser feita é diminuir o número de jogos.

- Bate-Bola:
Sérgio Landau
Diretor-executivo do Botafogo

Qual o custo total para esta mudança no gramado do Engenhão?
Não sei dizer exatamente quanto foi. O que eu quero dizer é que esse equipamento custou mais de R$ 1,5 milhão. São recursos pesados e temos um contrato de permanência. É caro, mas o trabalho tem muita qualidade.

A partir de que momento vocês perceberam que o Engenhão precisava de mudanças?
Desde que colocamos o pé no estádio percebemos que tinha de mudar alguma coisa. Tínhamos de investir mais. Às vezes, você tem ideia e um projeto, mas não tem recursos. Agora conseguimos fazer isso.

A final do Campeonato Carioca vai ser no Engenhão?
Pela programação da Federação, as finais serão realizadas aqui. A indicação é essa e vamos contar com isso no trabalho.

Vocês estão contando com a volta do Maracanã neste ano para diminuir o número de jogos?
Não sei como as coisas vão ser no Brasileiro. Sabemos que um estádio só é muito pouco e não queremos exclusividade. Queremos que o Maracanã volte e que fique pronto para os eventos. Mas não sabemos se ele voltará para o Campeonato Brasileiro.