Alexandre Braz - 24/02/2013 - 08:43 Rio de Janeiro (RJ)
"Temos a responsabilidade de fazer o Botafogo campeão. Assumimos essa responsabilidade". Esta frase foi dita por Andrezinho, em meia hora de conversa exclusiva com o LANCE!Net, após o treinamento de sábado, no Engenhão, e resume o espírito do elenco alvinegro, não apenas para a partida desta tarde, mas também as convicções e anseios de um elenco experiente e certo de seus objetivos para a temporada.
Na entrevista, o apoiador assume a condição de um dos jogadores mais importantes do elenco, não foge às cobranças da torcida por títulos e afirma que o elenco está forte e pronto para ser campeão.
O meia retorna hoje, ao time do Botafogo, contra o Boavista, no Engenhão, às 16, após ficar fora por três jogos para fazer um reforço muscular, visando aguentar o desgaste do grande número de jogos do ano. Confira o bate-papo com um dos jogadores mais importantes no sistema de jogo do técnico Oswaldo de Oliveira e um dos mais queridos pelos seus companheiros.
O Botafogo tem sofrido muita cobrança por títulos. Este ano o time conquista um campeonato importante?
Acredito que sim. Temos essa responsabilidade. Temos e assumimos essa responsabilidade de fazer o Botafogo novamente campeão. A diretoria foi feliz de manter a base do ano passado e a comissão técnica. Além de ter trazido reforços importantes. Estamos cientes do que temos de fazer. Esse ano temos de ganhar um título importante e vamos conseguir.
Após a derrota para o Flamengo as críticas começaram. Como lidar com elas?
Futebol é assim mesmo. Nessa hora é que precisamos dos jogadores experientes.Temos jogadores jovens e na idade deles é normal sentirem essa pressão. Perdemos um clássico, mas temos a chance de nos recuperarmos contra o Boavista.
Qual o motivo da ausência nas últimas três partidas?
Não estava lesionado. Infelizmente, aqui no Brasil, não se tem um tempo hábil de pré-temporada, um tempo para se preparar para tantos jogos. Agora estou pronto para a sequência.
Nestes jogos que você ficou fora, seu substituto foi o Vitinho. Ele foi bem no início e algumas pessoas disseram que ele poderia ser mantido como titular no seu lugar, mas caiu de rendimento...
Sobre perder a vaga o time, posso dizer que sou jogador de grupo e que sempre me entreguei ao trabalho em todos os clubes que joguei. O que importa é você saber da sua importância dentro do grupo e eu me sinto importante aqui no Botafogo. Sempre conquistei títulos na minha carreira e espero que consiga aqui também. Quanto ao Vitinho, converso muito com ele. Explico que nessa fase de transição dos juniores para os profissionais é normal que haja estas oscilaçãoes. É uma garoto de futuro, humilde e de grande talento.
Você disse que conversa com o Vitinho para orientá-lo neste momento de chegada aos profissionais. Como é sua relação com os jovens do elenco do Botafogo?
Temos vários tipos de lideranças. Uns agem com mais energia, falam mais. Outros falam de forma mais 'mansa'. Até por ter subido muito novo, com 16 anos, me espelhei em alguns jogadores mais experientes que me apoiavam de forma positiva, que me fizeram crescer como jogador. Na hora de apoiar, puxar a orelha, ser mais duro, lembro dos que me ajudaram no início. Converso muito com todos eles. A confiança dos garotos se ganha dessa forma. Eles precisam ter paciência. Não podem se abater muito com as críticas e não se elevar com os elogios. Eu fui criado assim. Passo a minha vivência para eles. Essa forma de liderança é importante.
Por falar em liderança, o Bolívar veio para o clube. Você ajudou na contratação dele pelo Botafogo?
Além ser um amigo, o Bolívar é um excelente jogador. Disse para o Botafogo que iria acrescentar muito, tanto dentro quanto fora de campo. É um cara que foi capitão por muito tempo no Inter, ganhou muitos títulos. Estive presente. Aprendi muito com ele. Adaptou-se muito rápido ao grupo e à cidade. E está mostrando a liderança que é natural dele. Essa liderança positiva, faz com que o grupo fique mais forte. Sabemos que nessa hora decisiva vamos precisar de jogadores com essa capacidade, como ele, Seedorf, Renato...
Muita gente avalia que o seu futebol tem crescido no Botafogo em relação aos outros clubes pelos quais você passou na sua carreira. Quais os fatores que contribuíram para isto acontecer na sua avaliação?
São três momentos e situações diferentes. No Flamengo eu era muito novo. Subi para os profissionais com 16 anos, com 20 fui para a Coreia. Passei quatro anos lá e voltei para o Inter. Como lá o grupo era muito qualificado, ganhei muitos títulos, mas não tive sequências de jogos como aqui no Botafogo. A experiência e o ritmo de jogo me deram confiança para eu mostrar o que sei.
Você é muito querido por todos aqui no clube. Qual o segredo para esta sua popularidade?
Fico muito feliz (emocionado). Prezo muito a amizade na minha vida. É preciso tratar a todos com humildade e igualdade. É muito gratificante ter esse reconhecimento, ser bem quisto.
Esta semana falou-se muito sobre salários atrasados. Essa situação tem incomodado?
Todo trabalhador quer receber em dia, mas confiamos no Mauricio (Assumpção, presidente do Botafogo) e na diretoria. Sabemos do caráter dele e das melhorias estruturais que promoveu na sede do clube. Então, temos certeza de que ele está fazendo o possível para solucionar o problema. Isso não nos incomoda, pois sempre cumpriram o que prometeram.
O que esperar do jogo contra o Boavista, neste domingo?
Será um jogo difícil, mas estamos jogando em casa e temos de impor o nosso futebol e conquistar a vitória e a classificação.