domingo, 3 de março de 2013

'Novo Zico', Fellype Gabriel pode entregar presente de grego para ídolo

Vinícius Perazzini - 03/03/2013 - 08:10 Rio de Janeiro (RJ)

Fellype Gabriel - Botafogo (Foto: Wagner Meier/AGIF)
Fellype Gabriel hoje brilha com a camisa do Botafogo (Foto: Wagner Meier/AGIF)

Não foram poucas as promessas vindas do Flamengo que já ganharam o apelido de “Novo Zico”, mas só alguns vingaram. Entre os que deram certo está Fellype Gabriel, que por ironia do destino pode neste domingo estragar a festa de 60 anos daquele que inclusive é o maior ídolo dele. O atual camisa 11 do Botafogo foi comparado ao Galinho quando era da base rubro-negra e agora, ao melhor estilo “feitiço contra o feiticeiro”, tem a chance de frustrar o Fla, para delírio alvinegro.

Apoiador habilidoso, franzino e de cabelos loiros, Fellype Gabriel foi já na base colocado em paralelo à figura de Zico quando jovem, isso em 2004. Curiosamente, Fellype atuou junto com o filho de Zico, Thiago Coimbra, no juvenil do Fla, e desde então ambos são amigos. Thiago conversou com o LANCE!Net sobre a possibilidade de o ex-companheiro colocar água no chope na festa do pai dele e, em tom de brincadeira, acabou falando sobre o melhor dos sonhos para os botafoguenses.

– Se o Fellype fizer o gol da vitória, vou ficar com raiva (risos). Como torcedor do Flamengo, vai dar raiva, mas o Fellype é um cara que merece vencer. Pelo lado humano eu ficaria feliz por ele, mesmo triste pelo resultado. Ele é um cara batalhador, mas tomara que não faça sucesso neste clássico. Depois, ele pode brilhar muito – comentou Thiago Coimbra.

Em 2005, Fellype foi promovido com cartaz aos profissionais do Flamengo, com 19 anos, e começou bem, ganhando moral. Enquanto isso, Thiago Coimbra saiu do Fla, tentou a sorte por outros clubes e voltou ao Rubro-Negro em 2006, com Fellype já consolidado, mas sem perder a humildade que o acompanha até hoje.

– Sou dois anos mais velho do que ele e passava muitos conselhos no juvenil. Depois, nos profissionais, ele retribuiu tudo isso para mim, me acolheu no elenco. Ele tem um coração muito bom – falou Thiago.

Durante 2006, Fellype sofreu grave lesão no joelho esquerdo, teve a boa fase interrompida bruscamente e foi para o Cruzeiro no ano seguinte. Era o fim da linha pelo Flamengo. Hoje, o jogador se diz totalmente identificado com o Botafogo e tem demonstrado amor à camisa ao atuar tanto de meia quanto de volante, como vai fazer hoje, para preocupação do amigo Thiago:

– Espero que o Dorival dê atenção especial ao Fellype. Ele como volante é um perigo. Se der mole, vai chegar bem na frente e fazer gol, pois finaliza muito bem.

Com a palavra: Thiago Coimbra

"Muitas vezes, um jovem sente o peso de ser comparado com meu pai, mas essa pressão não afetou o Fellype Gabriel. Quem tem a cabeça boa, não deixa isso atrapalhar e o Fellype sempre foi um cara equilibrado, consciente, de família.

As pessoas diziam que o Fellype era frágil, só que ele sempre se esforçou muito e por isso teve os problemas físicos quando mais novo. Certamente, é um dos jogadores mais voluntariosos que já vi. Admiro muito a garra dele."

SEEDORF: INSPIRADO PELA VITÓRIA

Seedorf tem como ídolos no futebol Pelé, Maradona, Platini e Zico. Do ídolo rubro-negro, o camisa 10 do Botafogo tem muitas recordações dos tempos de infância e assim conta com inspiração de sobra para vencer o clássico hoje.

– Quando eu era criança, no Suriname, acompanhava com atenção o futebol brasileiro. Na minha casa só dava Brasil (risos). O Flamengo tinha um timaço na época do Zico, eu via todos os jogos. Quero aqui mandar o meu abraço para o Zico – disse Seedorf, em entrevista coletiva concedida no dia 14 de fevereiro.

Seedorf chegou a jogar com Zico. Foi no “Jogo das Estrelas” de 2006, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o craque hoje alvinegro era jogador do Milan e falou que sonhava com aquele momento ao lado de Zico desde os dez anos de idade.

Na fase como jogador do Botafogo, Seedorf ainda não esteve com Zico. O último encontro foi em 2008, em atitude nobre.

– O Zico fez 14 horas de voo só para disputar um amistoso beneficente na Alemanha. Foi uma atitude bonita. Ele sempre teve postura exemplar – destacou Seedorf.