domingo, 3 de março de 2013

Relacionado, André Bahia inicia trajetória no Botafogo contra o ex-clube

Alexandre Braz - 03/03/2013 - 10:05 Rio de Janeiro (RJ)

André Bahia, zagueiro do Botafogo (Foto: Reprodução/LANCE! TV)
André Bahia fica no banco de reservas neste domingo (Roberto Veloso)

Em janeiro de 2005, aos 20 anos, André Bahia, era apenas mais um jovem futebolista brasileiro a deixar o Brasil rumo à Europa atrás do sonho de se estabelecer no maior futebol do mundo. Após oito anos bem sucedidos no futebol europeu, sete jogando pelo Feeynood, da Holanda, e um, atuando pelo Samsunspor, da Turquia, o zagueiro, aos poucos, tenta recomeçar uma nova trajetória vitoriosa, desta vez, no Botafogo, rival justamente do seu ex-clube, o Flamengo, neste domingo, às 16h, no Engenhão, pela semifinal da Taça Guanabara.

Com contrato até o fim do Estadual, André ainda não começará jogando. Ele está relacionado e deve estar no banco de reservas esta tarde. Em conversa exclusiva com o LANCE!net, ele garantiu estar bem preparado caso o técnico Oswaldo de Oliveira precise utilizá-lo ao longo do jogo.

- O Oswaldo ainda não conversou comigo não sobre o jogo contra o Flamengo. Estou na expectativa, quero estar no grupo e confirmando isso, vou ficar feliz. Quero ter a minha sequência indo para os jogos. Estou há dois meses aqui me preparando, quando ele (Oswaldo) precisar, estarei pronto para corresponder - disse André Bahia.

Se quando assinou contrato com os holandeses, André era apenas um menino em busca de um sonho, hoje, de volta ao seu país, ele é um homem realizado. Casado e pai de dois filhos, o jogador não se abala mais com as pressões do futebol. Por isso diz não se assustar com a obrigação que o Botafogo tem de vencer o Flamengo esta tarde para ir à final da Taça Guanabara.

- A necessidade de vencer é nossa, mas isso não pode nos trazer desespero. Claro que se marcamos um gol no começo do jogo, nos ajudará - disse, alertando que o Botafogo não pode dar os contra-ataques para o adversário, que, segundo ele, tem jogadores rápidos e qualificados.

RECOMEÇO CONTRA O EX-CLUBE

Do adversário desta tarde de domingo, assim como outros três companheiros seu do elenco do Botafogo, Fellype Gabriel, Andrezinho e Julio Cesar, todos com passagens pelo adversário, André Bahia conhece bem. Jogador revelado nas divisões de base dos rubro-negros, chegou na Gávea para as categorias inferiores e ficou até os profissionais. Agora, em busca de novos tempos e novos desafios em sua carreira, ele afirma que não levará as lembranças deste passado para o Engenhão.

- Mesmo tendo começado no Flamengo, não muda nada. O clássico é bastante motivador por ser um clássico. Mais ainda por ser uma semifinal. São esses fatores que acabam nos motivando mais. Isso dá mais força para quem sabe que vai jogar ou não.

FAMÍLIA E AMIZADE

Nesta semana, durante um treino em General Severiano, André recebeu a visita da família. O pai João Viana, de 83 anos e a mãe, Jacira Bahia, acompanhados pela irmã do zagueiro, foram ver o filho no trabalho como nos velhos tempos. De volta ao futebol brasileiro, ele afirma que estas são as suas maiores recompensas.

- Meu pai e minha mãe são tudo para mim. São minhas referências. Depois de anos fora do Brasil, fico feliz por estar perto deles. Meu pai sempre foi comigo aos treinos, aos jogos. É uma pessoa que me ensinou muito. Um bom contador de histórias (risos).

Se a família é o pilar de sustentação para a carreira e a vida de André Bahia, as amizades tem destaque não menos recente. No Botafogo, onde treina desde o fim de 2012, o zagueiro reencontrou Andrezinho, um velho amigo do início da carreira. Sobre o apoiador, ele também é só elogios.

- Do Andrezinho você gosta de graça. Eu gosto muito desse "Pretinho" aí (risos). Eu o conheci com 11 anos, fomos crescendo juntos e galgando espaços para chegar no profissional. Passamos tudo de bom e de ruim juntos, vivemos as fases complicadas juntos. Sempre mantivemos contato, mas depois de 10 anos é legal estar de novo com ele. Isso para mim é gratificante.

- BATE-BOLA
Com André Bahia, zagueiro do Botafogo

Seu contrato vai até o fim do Estadual, com possibilidade de renovação por mais dois anos. Até agora, já no fim do primeiro turno você ainda não teve chance de jogar. Isso preocupa? Oswaldo conversou com você?

- Sei das minhas condições, mas isso não me assusta. Para mim foi vantagem, foi tudo tranquilo. O início foi legal. Ele disse para eu me preparar e que o ano é longo, com muitos jogos e que a oportunidade vai surgir para todos. É só estar bem.

A concorrência entre os zagueiros aqui é grande. Como arrumar um espaço para jogar?

- O grupo todo é muito bom para trabalhar. Estou mais próximo dos zagueiros por fazermos trabalhos específicos e vejo que são excelentes pessoas. Eles têm qualidade e merecem muito. No dia a dia é cada um fazendo o seu trabalho.

Esta semana vieram alguns holandeses torcedores do Feeynoord para te visitarem...

- Foi bem legal ter o pessoal da Holanda aqui. Tive o prazer de conhecê-los e fiquei muito feliz. Foi uma sensação diferente, legal. O holandês é apaixonado por futebol, tendo o Seedorf aqui também ajuda. Foi gratificante recebê-los no meu país, na minha cidade, no meu local de trabalho...

O Botafogo enfrenta o Flamengo precisando da vitória. Como é lidar com essa pressão toda semana? Se ganha você é o melhor, se perde não joga nada, não serve para o time...

- No futebol a pressão vem desde pequeno, eu que comecei no clube grande sei que é assim. Ninguém gosta de receber críticas, posso te garantir. Seja no futebol, na imprensa ou em qualquer seguimento profissional. Mas é assim, o jogador tem que estar preparado. Ganhou é ídolo, perdeu é fraco. O futebol é assim, não tem para onde fugir. Vamos fazer nosso melhor para vencermos o jogo e levar o Botafogo à final.