A campanha perfeita na Taça Rio, com futebol vistoso e cheio de gols não deu as caras na estreia da Copa do Brasil. Mesmo com uma pressão incrível no fim da partida, o Botafogo não foi capaz de passar de um empate em 0 a 0 com o Sobradinho, na noite desta quarta-feira, no Bezerrão, e a decisão da vaga ficou para o Rio de Janeiro. O rival também teve chances, e um gol anulado nos acréscimos salvou o time carioca de uma amarga derrota.
Com o resultado, a sequência de sete vitórias no Campeonato Carioca foi freada. Agora, nova igualdade sem bola na rede leva a disputa para os pênaltis. Qualquer empate com gols carimba a passagem dos candangos. Ao Glorioso, só resta vencer na próxima quinta-feira, às 21h50m, no Raulino de Oliveira, para evitar mais um vexame na competição nacional.
A bola multicolorida da Copa do Brasil rolou com atraso de 12 minutos. E o futebol demorou um pouco mais a aparecer. O Sobradinho preencheu a parte do campo entre intermediárias e impediu o Botafogo de jogar como gosta, tornando o terço inicial da etapa modorrento. Sem paciência, o time carioca rifava as jogadas com lançamentos em profundidade. Efeito disso foi que o primeiro chute a gol só saiu aos 15, com Julio Cesar, um dos mais acionados.
Seedorf e Ramon, Sobradinho x Botafogo (Foto: Adalberto Marques/Agência Estado)
Antes, reclamação de pênalti em Fellype Gabriel, que foi empurrado na área. A melhor chance saiu com Lodeiro, após erro de Ramon e passe de Rafael Marques. Mas o uruguaio bateu prensado com o zagueiro e desperdiçou. Em rápido contato com o técnico Oswaldo de Oliveira, Seedorf mostrou insatisfação e reclamou que a equipe estava muito próxima, sem abertura. Pois ele mesmo mudou sua posição e passou a desequilibrar pelo lado esquerdo.
Aos 32 minutos, o craque holandês reviveu o pequeno show de dribles que ofereceu contra o Nova Iguaçu, domingo passado, pelo Campeonato Carioca. Mas, desta vez, apesar de ter "entortado" o lateral-direito Ronaldo, não acertou o cruzamento. O jogo aéreo, aliás, foi a tônica alvinegra, com dezenas de tentativas sem sucesso. Apagado, Rafael Marques sequer conseguia fazer o trabalho de pivô. Para piorar, Lodeiro, lesionado, saiu e deu lugar a Vitinho.
Na volta do intervalo, a partida ganhou em emoção. Mais expostas, as equipes mudaram a postura, e o Sobradinho encaixou seu esquema, adiantando a marcação e pressionando o adversário. E levou perigo duas vezes justamente com a fórmula do Bota: as bolas erguidas.
No entanto, a superioridade técnica do visitante (que parecia estar em casa, diante de tantos torcedores), ressurgiu e, aos 24, Vitinho chutou rente à trave depois de bate e rebate na área. Ambos os treinadores fizeram substituições ofensivas, e o duelo ficou ainda mais franco, mas o time candango, aos poucos, perdeu a intensidade e os bons contragolpes que incomodavam.
O gol do triunfo do Glorioso quase saiu da forma mais improvável. Aos 40, Vitinho cruzou, o lateral Ronaldo desviou contra a própria meta e obrigou o goleiro Donizeti a tirar a bola no susto. Depois, foi a vez de Rafael Marques arriscar, de cabeça, mas novamente Donizeti salvou. Até o fim, mais pressão e, mesmo com falhas grosseiras da defesa do Sobradinho, nada de a bola entrar. Com dez no campo de ataque, o Botafogo se descuidou, e Laécio chegou a marcar, mas o auxiliar assinalou impedimento. Definitivamente, o encanto do Campeonato Carioca não viajou à Brasília.