O fechamento do Maracanã por pouco mais de dois anos deixou muitos órfãos, mas também fez surgir uma nova geração de filhos do estádio. Neste sábado, no evento-teste que reuniu dois times formados por amigos de Bebeto e Ronaldo, a antiga arquibancada hoje transformada em fileiras de cadeiras abrigou torcedores de primeira viagem, mas que já nasceram com histórias para contar e as palavras orgulho e emoção na ponta da língua (veja os bastidores ao lado).
Entre os milhares de torcedores, muitas crianças foram pela primeira vez ao Maracanã levadas pelos pais que trabalharam e escreveram seus nomes na reforma do estádio.
- É muita emoção. Uma das coisas que fiz foi a mudança na marquise da entrada do Maracanã e agora posso mostrar e dizer para o meu filho: “papai ajudou a construir”. Será a primeira vez que entro no estádio como torcedor. Espero que na final da Copa o Brasil esteja aqui – afirmou Adenílson Lessa Filho, com o filho Adenílson Lessa Neto, 3 anos, no colo já pronunciando o nome do estádio.
Entre os funcionários e suas famílias um grande número de crianças. Alguma delas ainda sem entender direito o que se passava no dia que virou um marco do novo Maracanã. Com a pequena Ana Katariny de apenas um ano no colo, Maurício Mendes posava para fotos na estátua do Bellini.
Adenilson Lessa Filho já fez o filho, também Adenilson, aprender a falar Maracanã (Foto: Janir Junior)
- Sou da parte da recuperação estrutural. É indescritível. Tenho orgulho de trabalhar nas obras e estar lá dentro, olhar para minha filha e dizer: “foi papai que fez” – disse Maurício, torcedor do Fluminense que tinha costume de marcar presença no estádio.
Antes da abertura dos portões para a partida entre os times de Bebeto e Ronaldo, longas filas se formaram do lado de fora do estádio. Entre os torcedores, Deivid Gomes carregava o pequeno Ítalo Vinicius no ombro e o orgulho estampado no rosto.
- Trabalhei muito, dei duro e vejo meu esforço recompensado. Meu filho está vindo pela primeira vez. Espero que possa voltar várias outras vezes e contar para os coleguinhas que o pai teve uma participação em toda essa história – disse Deivid.
Mais do que Ronaldo, Bebeto e companhia, na reabertura do estádio os artistas do espetáculo não estavam em campo, mas sim nas cadeiras que eles mesmos ajudaram a colocar para que pudessem assistir sentados à primeira vez de seus filhos no novo Maracanã.