quinta-feira, 9 de maio de 2013

Agora em lua de mel, Rafael Marques lembra que foi hostilizado até na rua

Andrezinho e Rafael Marques treino Botafogo (Foto: Satiro Sodré / Agif)Rafael Marques (direita) sorridente no treino de
quarta-feira (Foto: Satiro Sodré / Agif)

Contratado durante o Brasileiro do ano passado, Rafael Marques viveu um pesadelo em seu início no Botafogo. O atacante chegou com o aval do técnico Oswaldo de Oliveira mas foi visto pela torcida como o jogador que chegou para o lugar do ídolo Loco Abreu, que deixou o clube após divergências com o técnico Oswaldo de Oliveira. No fim do ano, o próprio Oswaldo acreditava que não havia mais clima. O jogador, no entanto, permaneceu. Depois de alguns jogos sem ao menos ser relacionado, conseguiu, em seu 21º jogo com a camisa alvinegra, fazer seu primeiro gol.

Mas havia um gol especial guardado, o do título da Taça Rio, contra o Fluminense, que deu ao Bota também a conquista do Campeonato Carioca. Rafael Marques desabafou e contou que foi muito doloroso ver o sofrimento da família nos momentos complicados.

- O pior foi ver minha família sofrer, ver pessoas me xingando, dizendo que eu não tinha condição de jogar. Isso me machucou. Quando afeta pessoas ao meu redor e eu não posso fazer nada, dói demais. O melhor foi falar com eles depois do jogo e ver a alegria. Não tem preço. Eles me deram muita força - disse atacante.

Mesmo na má fase, o atleta tentou não mudar sua rotina e não evitou atividades como ir ao supermercado ou ao restaurante, mas lembrou de uma vez que foi hostilizado por um torcedor na rua.

- Foi um torcedor só. Ficou falando de longe, cobrando gols. Se o cara quer cobrar, tem que ser homem e vir falar comigo, me ouvir também. Mas agora só escuto palavras de apoio e pedidos de desculpas.

O gol realmente fez Rafael Marques subir, e muito, na cotação dos torcedores. Já no dia seguinte ao título, os pedidos pelo número 20 em camisas aumentaram bastante. Feliz com o bom momento, o atacante lembrou que na época de escassez chegou a discutir nas redes sociais após ser ofendido.

- Achei muito bacana essa procura pela camisa. Ano passado eu era desacreditado, falavam de uma possível saída e dei a volta por cima. Às vezes eu nem olhava as redes sociais. Teve uma vez que apelei com uma pessoa, peço até desculpas. Mas aqui tem sangue correndo, né. Muitos que me xingavam agora elogiam. Só quem passou o que eu passei sabe o que estou sentindo.

A lição é que não se pode desistir nunca, e foi o que procurei fazer. Trabalhei, acreditei nos objetivos e no sonho de ser campeão."

Rafael Marques

Prova de que a torcida resolveu dar uma chance ao jogador é que criou até uma música especial, que agora é cantada nos jogos do Bota: "Pluct plact zum, Rafael Marques vai fazer mais um". A canção embalou até a comemoração dos jogadores dentro do ônibus, no retorno de Volta Redonda.

- Eu gostei da música. É um reconhecimento legal a torcida cantar nos jogos. Fiquei feliz. No retorno de Volta Redonda, cantamos bastante. Mas não foi só ela, foi exaltando todos os jogadores. Foi bem legal, é um momento nosso.

Rafael Marques disse que fica a certeza de que lutar e não se entregar é a melhor receita para o sucesso. Ciente de que as críticas podem voltar se os gols não continuarem, ele garante ter os pés no chão para não se iludir com o momento.

- A lição é que não se pode desistir nunca, e foi o que procurei fazer. Trabalhei, acreditei nos objetivos e no sonho de ser campeão. Disse isso desde a minha primeira entrevista, que vim para ser campeão. Graças a Deus fui coroado, mas tenho os pés no chão, sei que se ficar um tempo de novo sem fazer gol as críticas vão voltar. O ano ainda não acabou não.

Os campeões do Carioca estão de folga até domingo. A reapresentação está marcada para a tarde de segunda-feira, no campo anexo do Engenhão. O próximo compromisso do Botafogo é o jogo de volta da segunda fase da Copa do Brasil, contra o CRB. No jogo de ida, em Maceió, o placar foi 0 a 0.

* Colaborou Raphael Bózeo, estagiário.