sexta-feira, 21 de junho de 2013

Sem salários, Renato promete ajuda aos jovens: 'Se chegar ao extremo'

Renato treino Botafogo (Foto: Fabio Castro / Agif)Renato se preocupa com a situação dos mais
jovens do grupo (Foto: Fabio Castro / Agif)

O atraso de salários é preocupante em qualquer setor. No futebol, há a impressão de que seu impacto possa ser menor pelos altos valores que circulam pelas instituições. No Botafogo, os jogadores não recebem há dois meses e alguns deles estão longe de números como os de Seedorf, Renato e Jefferson, que contam com os maiores vencimentos do atual grupo.

Por isso, a situação pode começar a criar problemas, principalmente para jovens jogadores. Em outros clubes, a questão dos atrasos já fez nomes consagrados aparecerem como salvadores, caso de Felipe no Flamengo, em 2004, quando a situação chegou a extremos.

É nesse nível que existe a preocupação no grupo em evitar problemas para os mais necessitados. O volante Renato se colocou à disposição caso seja necessário esse tipo de intervenção e garantiu que outros teriam a mesma atitude para manter o bom ambiente.

- Se a situação chegar ao extremo, você ajuda. Os jogadores mais novos, no entanto, têm boa cabeça e sabem economizar para não haver aperto. Mas alguns ajudam suas famílias. Se acontecer de chegar em uma situação desesperadora, a gente vai ajudar - disse Renato.

Mas não são apenas os jogadores mais jovens que demonstram preocupação. Os mais experientes também estão com compromissos pendentes à espera dos pagamentos. Havia a promessa de que uma parte seria paga até esta sexta-feira, mas ainda não há sinal de que o clube a cumprirá.

- Se você trabalha em uma grande empresa e ganha um salário maior, também faz planos maiores. O atraso dificulta e a gente sabe a necessidade do clube e o esforço que faz em busca de recursos - comentou o volante.

Se você trabalha em uma grande empresa e ganha um salário maior também faz planos maiores. O atraso dificulta e a gente sabe a necessidade do clube e o esforço que faz em busca de recursos"

Renato

Os jogadores sabem que a interdição do Engenhão, fechado desde o dia 26 de março, também atrapalhou os planos do Botafogo e diminuiu a receita desta temporada. O estádio só tem previsão de reabertura para dezembro do ano que vem. Mesmo assim, o grupo tem tomado atitudes, como não concentrar em dia de jogo, inclusive.

- O clube perdeu uma verba muito grande. A situação estava controlada, mas infelizmente sofreu com a perda de recurso. Somos seres humanos, temos contas a pagar e tomamos decisões com todo o grupo - explicou.

Uma das soluções apontadas por Renato é o crescimento do programa sócio-torcedor no Brasil. Segundo ele, o Sevilla contava com 40 mil sócios-torcedores, o que ajudava a manter o estádio e o bolso cheios.

- Lá é diferente. Tem um carnê para toda a temporada e o torcedor garante o seu lugar em todos os jogos. Aqui, ele vai em um clássico e não aparece em um jogo de pouca expressão. Se o torcedor for ao jogo, aumenta a renda do clube. Sei que há alguns problemas, como a violência, que afastam a família, mas é uma forma de melhorar o futebol brasileiro - disse Renato.