domingo, 12 de maio de 2013

'Pega um, pega geral': Bolívar aprova música cantada pela torcida do Bota

Bolivar gol Botafogo x Fluminense (Foto: Fernando Soutello / AGIF)Bolívar conquistou a torcida com sua dedicação
em campo (Foto: Fernando Soutello / AGIF)

Na conquista do título do Campeonato Carioca há uma semana, na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense em Volta Redonda, as músicas cantadas pela torcida do Botafogo para os jogadores chamaram a atenção. Uma delas foi direcionada a Bolívar, que chegou ao clube nesta temporada e se tornou um dos símbolos do time. A letra "o Bolívar é mau, pega um, pega geral" fez referência ao estilo de jogo duro do zagueiro. Com ele na liderança da defesa, o time se transformou e sofreu apenas dez gols nas 22 partidas disputadas este ano - sendo que ostenta no momento uma série de seis jogos sem ser vazado.

Punido por uma entrada violenta em 2011, quando ainda estava no Internacional e rompeu os ligamentos do lateral Dodô (veja no vídeo abaixo) - ex-Bahia e atualmente no Roma, da Itália -, Bolívar não se incomoda com uma possível interpretação pejorativa da letra. Pelo contrário, ele considera a música uma alusão a um jogador que não dá espaço ao adversário.

- Achei muito legal. Toda vez que a torcida começa a cantar o nome dos jogadores, fico muito feliz. É uma maneira legal de incentivar, de você ficar ali focado dentro do jogo. O torcedor confia em mim e diz que ninguém vai passar. Fico contente, pois isso é muito gentil, um carinho grande - afirmou.

Este ano, o zagueiro já foi alvo de uma polêmica no empate por 1 a 1 com o Fluminense, na fase de classificação da Taça Guanabara. Um vídeo divulgado pelo Botafogo na época mostrava o jogador falando antes da entrada em campo que o time deveria deixar cicatrizes nos adversários e causou polêmica com o rival. Ele chegou a ser julgado e absolvido pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ).

- Foi uma interpretação errada. Trataram como cicatriz física, mas era para deixar marcado como uma cicatriz aquele jogo. Todos já entenderam isso, e a imagem que mostrei no fim foi de ser campeão carioca com meu grupo. Isso é o mais importante - comentou.

Tratado como um líder pelo técnico Oswaldo de Oliveira, Bolívar foi um dos jogadores responsáveis pela conversa que determinou o fim da concentração em jogos no Rio por causa do atraso de salários. Hoje, o Botafogo está com o pagamento em dia, devendo um mês de direito de imagem para 11 atletas que recebem uma parte do valor dessa forma.

Foi uma interpretação errada. Trataram como cicatriz física, mas era para deixar marcado como uma cicatriz aquele jogo. Todos já entenderam isso e a imagem que mostrei no fim foi de ser campeão carioca"

Bolívar, zagueiro do Botafogo, sobre
declaração polêmica em vídeo de vestiário

- A gente sabe que todo clube tem dificuldade financeira. Teve esse problema no início, mas a direção procurou passar para a gente que ia melhorar e aconteceu. Conversamos com o Oswaldo e com um grupo profissional como o nosso é possível dar essa liberdade de concentração. Não dá quando um grupo não tem a capacidade de se concentrar em casa. Foi importante essa experiência que acabou dando certo - explicou.

Antes mesmo de ser contratado até o fim deste ano, Bolívar procurou informações com jogadores que já conhecia no grupo, como Andrezinho. Depois de colocar a Taça Libertadores no currículo, ele comemora com a mesma empolgação o seu primeiro Campeonato Carioca, logo na primeira competição que disputou com pelo Botafogo.

- Alguns jogadores já conheciam minha forma de trabalhar e minha personalidade pelo Andrezinho, e encaixei bem no Botafogo. A direção formou um grupo forte, que fez o Botafogo ser mais decidido, mostrando isso nos jogos grandes, quando foi sempre superior ao adversário. Fiquei muito feliz pela identidade que o time criou depois da semifinal da Taça Guanabara contra o Flamengo, mudando de postura e acabando com a desconfiança em relação ao Oswaldo e ao time. O torcedor está satisfeito. Esse título para mim e para o Oswaldo é especial, pois quando se chega em um clube você quer fazer história, e não é diferente comigo.

Na folga de quatro dias que os jogadores ganharam, Bolívar aproveitou para visitar os pais em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Já acostumado com o calor do Rio de Janeiro, sentiu a diferença de clima. Na volta aos treinamentos, segunda-feira, no campo anexo do Engenhão, a promessa é de dar continuidade ao bom trabalho realizado.

- Meu ano no Internacional não vinha sendo bom e chega um certo momento que é preciso definir uma saída. Sabia que ainda poderia ser importante. Ninguém desaprende a jogar futebol, e consegui provar para mim e muita gente que tenho muito a acrescentar, jogando em alto nível, sendo decisivo nas partidas importantes - afirmou Bolívar.